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Portugal, como produtor açucareiro de destacada importância mundial a partir do século XV, cedo beneficiará do acesso privilegiado a este bem de elevado valor comercial. O acesso ao açúcar no mercado interno ficaria sempre dependente de complexas dinâmicas e circuitos comerciais globais.
Apenas no século XIV o açúcar entraria no mundo cristão e fá-lo-ia através da botica muçulmana, traduzida nas universidades europeias, e para a qual o açúcar era produto farmacológico de excelência para a preservação das qualidades humorais de frutas e legumes, potenciando o consumo terapêutico de doces de frutas e conservas. Paulatinamente, expande-se o seu uso no mundo culinário, tornando-se um verdadeiro alimento-medicamento associado a receitas à base de leite, ovos e farinhas, a par do uso como tempero de pratos de carne ou peixe. Até ao inÃcio do século XIX, nunca deixará de ser uma mercadoria luxuosa e cara e, por isso, muito desejada pela sociedade.
Invariavelmente, desde cedo lhe será reconhecido e atribuÃdo um valor social acrescentado que potenciará a sua circulação informal quer como bem comercial, quer como alimento. «Doçaria Portuguesa – Das origens ao Século XVIII» explora, assim, a evolução da doçaria em Portugal, colocando em evidência o papel do açúcar e dos doces na cultura e na alimentação nacionais ao longo de mais de seis séculos, constituindo, atualmente, componente incontestável da identidade e património alimentar português.